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Ámale, Ámala

Antes de qualquer identidade, crença ou rótulo, existe uma verdade simples: toda pessoa merece respeito, dignidade e o direito de existir sem medo.
Ilustração

Há pessoas que passam a vida inteira tentando encontrar um lugar onde possam simplesmente existir. Não ser toleradas. Não ser suportadas. Existir. Respirar sem medo. Caminhar sem precisar pedir desculpas por serem quem são.

Algumas nasceram em corpos que não refletem aquilo que sentem. Desde cedo, carregam a sensação de que algo não está em harmonia entre a imagem que o mundo vê e a identidade que habita seu coração. E então começa uma batalha que muitos nunca precisarão enfrentar: a luta para serem reconhecidas, respeitadas e, acima de tudo, tratadas como seres humanos.

“Não é normal”, dizem alguns.

Mas a história da humanidade é, em grande parte, a história daqueles que foram chamados de anormais. Um dia, disseram que não era normal uma mulher votar. Disseram que não era normal pessoas negras ocuparem espaços de poder. Disseram que não era normal amar alguém de outra classe social, de outra religião ou de outra cor. O tempo mostrou que, muitas vezes, o problema não estava em quem era diferente, mas em quem se recusava a enxergar além dos próprios preconceitos.

Em cidades pequenas, como Ribeirão Branco, o peso do julgamento costuma ser ainda maior. Todos observam. Todos comentam. Todos parecem ter uma opinião sobre a vida do outro. Mas raramente conhecem as lágrimas derramadas em silêncio, as noites de angústia ou a coragem necessária para enfrentar o mundo sendo exatamente quem se é.

E talvez seja justamente aí que devamos refletir. Não sobre gênero. Não sobre identidade. Não sobre política. Mas sobre humanidade.

Porque ninguém deveria ser humilhado por buscar a própria felicidade. Ninguém deveria ser excluído por obedecer ao próprio coração. Ninguém deveria viver aprisionado para que os outros se sintam confortáveis.

Não é preciso compreender todas as experiências humanas para oferecer respeito. Não é preciso concordar com tudo para reconhecer a dignidade de alguém. O mínimo que podemos fazer é lembrar que, antes de qualquer rótulo, existe uma pessoa.

Uma pessoa que sonha. Que sofre. Que ama.

E talvez, no final das contas, seja exatamente isso que importe.

Ámale. Ámala. E ignore toda religião, opinião ou opressão que não lhe permita amar.

Um abraço na medida de sua necessidade.

Sobre a Coluna

A coluna de Donizete Furlan será publicada semanalmente no Diário de Ribeirão Branco, sempre com textos que entrelaçam Direito, memória e cotidiano. Um convite ao pensamento crítico com raízes no interior.

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