
Quando a gente fala em política municipal, quase sempre o foco vai para o prefeito. É natural. Ele executa obras, aparece nas inaugurações, anuncia programas. Mas existe um poder que, muitas vezes, trabalha em silêncio, ou deveria trabalhar com firmeza: o Poder Legislativo.
Em Ribeirão Branco, são onze vereadores. Onze pessoas escolhidas pelo voto popular para representar a cidade dentro da Câmara Municipal. E essa informação, que parece simples, carrega um peso enorme. Porque não estamos falando de cargos simbólicos. Estamos falando de responsabilidade constitucional.
Vereador não está ali para fazer favor individual. Não está ali para ser extensão do Executivo. Não está ali para levantar a mão automaticamente. A função do vereador é clara: criar leis, fiscalizar o prefeito e representar a população.
Fiscalizar significa acompanhar contratos, analisar gastos, observar licitações, questionar prioridades. Significa olhar o orçamento e perguntar: esse dinheiro está sendo bem aplicado? Está chegando onde precisa chegar? Está atendendo quem mais precisa?
Criar leis significa pensar a cidade. Pensar o agricultor, o comerciante, o trabalhador, o jovem, o idoso. Pensar o desenvolvimento sem esquecer da dignidade.
E representar significa ouvir. Ouvir de verdade. Não apenas no período eleitoral.
Grande parte do trabalho sério da Câmara acontece dentro das comissões. É nelas que os projetos passam por análise antes de virarem lei. A Comissão de Constituição e Justiça verifica se o projeto é legal. A Comissão de Finanças examina o impacto no orçamento. Comissões voltadas ao agronegócio, aos direitos humanos e a outras áreas estratégicas discutem temas que impactam diretamente a vida da nossa população.
É ali que se podem impedir erros.
É ali que se podem evitar prejuízos.
É ali que se demonstra compromisso.
Existe ainda um ponto importante que muita gente desconhece: os vereadores possuem imunidade parlamentar no exercício do mandato, o que significa que podem se manifestar, opinar e votar dentro da Câmara sem sofrer perseguições por suas posições políticas. Esse não é um privilégio pessoal. É uma garantia institucional. Serve justamente para que o vereador tenha liberdade de se opor, questionar e fiscalizar sem medo de retaliação. A imunidade existe para proteger a função, não a vaidade.
Mas precisamos falar de algo que o cidadão sente, mesmo quando não tem linguagem técnica para explicar: o peso do alinhamento partidário.
Partido político faz parte da democracia. É legítimo. Mas, quando o alinhamento vira submissão automática, o Legislativo perde força. Quando a maioria vota sempre na mesma direção, sem debate profundo, o poder tende a se repetir. E, quando o poder se repete sem questionamento, o erro também se repete.
O vereador não foi eleito para proteger governo. Foi eleito para proteger a cidade.
Ribeirão Branco precisa de um Legislativo que questione quando for necessário, que apoie quando for correto, que fiscalize sempre. Um Legislativo que tenha coragem de discordar, inclusive de aliados políticos, se isso significar defender o interesse público.
Este não é um texto contra pessoas. É um texto a favor da responsabilidade.
E, como esta é a Coluna do Diário de Ribeirão Branco, deixo aqui um convite público e respeitoso: este espaço está aberto para que os vereadores demonstrem à população o que têm feito. Quais projetos apresentaram? Quais fiscalizações realizaram? De quais comissões participam? Como têm cumprido o compromisso assumido nas urnas?
A democracia não termina no voto. Ela começa ali.
E você, morador de Ribeirão Branco, não está sozinho quando deseja mais transparência, mais trabalho e mais compromisso com a cidade. Fica aqui o convite para os vereadores Priscila, Márcio, Ronaldinho, Mauri, Gilmar, Nena, Virgínia, Adriano, Tuca, Flávio e Bruno: digam-nos o que vocês, representantes do povo, têm feito para fiscalizar e contribuir com Ribeirão.
Um abraço na medida de sua necessidade.





