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São Paulo recebe 120% mais investimentos no saneamento após privatização da Sabesp, alcançando marca histórica de R$ 15,2 bi

São Paulo recebe 120% mais investimentos no saneamento após privatização da Sabesp, alcançando marca histórica de R$ 15,2 bi

O Estado de São Paulo recebeu em 2025 o maior investimento da história para ampliar o acesso da população à água e esgoto tratado. Foram R$ 15,2 bilhões aplicados pela Sabesp, valor 120% superior aos R$ 6,9 bilhões do ano anterior. O crescimento dos valores investidos foi possível após a desestatização da empresa, realizada em julho de 2024 pelo Governo de São Paulo. O principal objetivo era acelerar a universalização do saneamento básico no estado, prevista para ocorrer em 2029.

“Os investimentos representam um avanço para garantir o acesso universal à água e ao saneamento em São Paulo”, disse a secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística de SP, Natália Resende. “Esses investimentos fortalecem a proteção dos recursos hídricos, reduzem a poluição, melhoram a qualidade de vida das pessoas e promovem desenvolvimento sustentável em todas as regiões do estado.”

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Em pouco mais de um ano após a privatização, a Sabesp reduziu em cerca de 22% o volume de esgoto que era lançado sem tratamento adequado na Região Metropolitana de São Paulo. No fim de 2023, esse passivo equivalia a aproximadamente 63 bilhões de litros por mês, ou 25 mil piscinas olímpicas. A queda representa 5.500 piscinas olímpicas a menos por mês chegando ao meio ambiente sem tratamento, resultado da aceleração de obras de coleta e tratamento, com impacto direto na proteção de mananciais estratégicos como Tietê, Guarapiranga e Billings.

A Sabesp conseguiu superar no ano passado todas as metas de universalização do saneamento nas 371 cidades atendidas:

  • Acesso à água: 664.161 novos imóveis atendidos, o equivalente a 152% da meta prevista para 2024–2025, beneficiando cerca de 1,8 milhão de pessoas.
  • Acesso à coleta de esgoto: 781.464 imóveis atendidos, correspondendo a 133% da meta, com mais de 2,1 milhões de pessoas beneficiadas.
  • Tratamento de esgoto: 1.372.105 imóveis passaram a contar com esgoto tratado, atingindo 134% da meta, o que representa 3,7 milhões de pessoas.

O ritmo das obras é um dos principais indicadores dessa nova fase da Companhia. Atualmente, 2.400 domicílios são conectados em média por dia. Para efeito de comparação, o Programa Novo Rio Pinheiros, um dos maiores projetos de saneamento da história de São Paulo, levou três anos e meio para conectar 650 mil domicílios.

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A Sabesp tem neste momento mais de 1.100 frentes de obras em andamento. Somente em 2025, foram entregues 16 estações de tratamento de esgoto e quase 800 quilômetros de grandes tubulações de esgoto, como redes, coletores-tronco e interceptores — extensão equivalente a uma fila de 40 mil carretas. A geração de empregos alcança 40 mil postos em vagas diretas e indiretas.

Tarifa controlada

Apesar do aumento de 121% nos investimentos, a tarifa de água e esgoto se manteve controlada. 

A revisão tarifária aplicada neste ano foi de 6,11%, valor correspondente a inflação acumulada em 16 meses de contrato. A tarifa de referência calculada pela Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp) ficou 15% abaixo do valor que seria previsto caso a Sabesp ainda fosse estatal.

É importante lembrar que, logo após a desestatização, as tarifas tiveram redução de valor. As tarifas social e vulnerável para a população de baixa renda tiveram redução de 10%, e as demais categorias também ficaram mais baratas, com 1% de queda nas residenciais normais e 0,5% nas comerciais e industriais.

A tarifa não aumenta na mesma proporção dos investimentos graças ao uso dos recursos do Fundo de Apoio à Universalização do Saneamento (Fausp) – criado com recursos da privatização e alimentado por dividendos da Sabesp, e na aplicação do novo contrato criado pelo Governo de São Paulo, que determina mecanismos permanentes de garantia da estabilidade tarifária até o alcance da universalização em 2029.

A desestatização da Sabesp garante investimento de R$ 70 bilhões para viabilizar, até 2029, a universalização do saneamento, incluindo áreas rurais e informais passíveis de regularização. A data é quatro anos antes do que determina o Novo Marco Legal do Saneamento.

Mudança real na vida das pessoas

Jeferson Cândido Pinheiro mora em uma das regiões mais populosas e com maior vulnerabilidade social da capital paulista, a Cidade Tiradentes. Do total de pouco mais de 52 mil famílias, cerca de 8 mil vivem em situação de alta ou muito alta vulnerabilidade. O distrito também abriga o maior complexo de conjuntos habitacionais da América Latina, com aproximadamente 40 mil unidades, formando uma verdadeira cidade dentro da cidade. O líder comunitário de 43 anos, no entanto, cresceu fora desses conjuntos. Ele nasceu e viveu em uma ocupação irregular conhecida como Comunidade Vaquejada, onde não havia acesso à água, esgoto ou outros serviços essenciais.

Essa realidade começou a mudar há cerca de quatro meses, quando a Sabesp implantou redes e ligações de água e esgoto para todas as mais de 2 mil famílias da comunidade. A iniciativa foi viabilizada após a desestatização da Companhia, que eliminou a restrição contratual para atuação em áreas informais.

“O bairro anda feliz, com a rua seca, sem esgoto correndo”, relata Jeferson, que também comemora a mudança em sua rotina. “Ficamos 28 anos sem água. Era uma luta diária. Usávamos mangueira, muitas vezes a água não chegava, a mangueira estourava, e precisávamos buscar água de balde em bica ou poço. Era quase uma hora de caminhada. Hoje posso tomar meu banho e trabalhar livremente no meu comércio. A dificuldade acabou”, afirma.

Estudos do Instituto Trata Brasil mostram que a ampliação do acesso ao saneamento básico está diretamente associada à melhora dos indicadores de saúde e educação, ao reduzir a incidência de doenças, diminuir internações hospitalares e contribuir para o melhor desempenho escolar de crianças e adolescentes. 

As análises mais recentes indicam que esses efeitos são cumulativos ao longo do tempo, especialmente na queda das internações por Doenças Relacionadas ao Saneamento Ambiental Inadequado, já que a chegada do abastecimento de água e da coleta e tratamento de esgoto a populações antes desassistidas pode reduzir em até 69,1% a taxa de internações por esse tipo de doença após 36 meses da intervenção, evidenciando o impacto direto e duradouro do saneamento na melhoria das condições de saúde.

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