
Este texto não nasce neutro. E nem pretende.
Ele nasce de quem aprendeu cedo que silêncio também é posição política.
Quem me lê já sabe: eu venho do interior. De lugar pequeno, onde todo mundo se conhece, onde a notícia chega torta, filtrada, às vezes atrasada — e, não raro, convenientemente esquecida. É exatamente nesses lugares que o jornalismo independente faz mais falta. E também onde ele mais incomoda.
Falar da importância do jornalismo independente é falar daquilo que sustenta a democracia quando o discurso bonito já não dá conta. Porque democracia não é só urna, nem só frase elegante em rede social. Democracia é acesso à informação real, mesmo quando ela dói, mesmo quando contraria quem manda.
A Constituição fala em liberdade de imprensa. Isso não é frase de efeito, nem privilégio corporativo. É a garantia de que alguém possa perguntar o que não querem responder. E quando essa pergunta passa do limite — porque ninguém é infalível — existe o direito de resposta, que não é censura: é equilíbrio. Um corrige o outro. É assim que deveria funcionar.
O problema começa quando a notícia passa a ter patrão demais. Quando depende de partido, de empresa grande, de verba, de agrado. Aí a verdade vira elástica: estica para um lado, encolhe para o outro. E o leitor fica no meio, achando que está bem informado quando, na verdade, só está bem conduzido.
O jornalismo independente não é confortável. Ele não promete neutralidade absoluta, mas oferece algo mais honesto: compromisso com o fato. Com o que está acontecendo de verdade, inclusive longe dos centros, longe dos holofotes, longe dos interesses grandes demais para serem contrariados.
E tem algo que só esse tipo de jornalismo costuma fazer sem pedir desculpa depois: denunciar. Denunciar o abuso pequeno, o desvio cotidiano, a injustiça normalizada. Não porque gosta de conflito, mas porque entende que calar também machuca. Denúncia não é ataque. É cuidado social. É aviso. É dizer: “se isso continuar assim, alguém vai pagar a conta — e quase nunca é quem decide”.
Eu escrevo porque acredito que informação livre protege gente comum. Protege quem não tem assessor, quem não tem mídia própria, quem não sabe transformar dor em discurso elegante. E porque já vi de perto o que acontece quando ninguém pergunta, quando ninguém publica, quando ninguém incomoda.
Defender o jornalismo independente é defender o direito de pensar com menos manipulação. É defender o leitor contra o ruído, contra a mentira bem-vestida, contra o silêncio interessado. É lembrar que a democracia não acaba num golpe cinematográfico. Ela vai sendo corroída, devagar, quando todo mundo diz a mesma coisa e ninguém estranha.
Se este texto incomodar alguém, talvez esteja cumprindo seu papel.
Porque informação livre não é ameaça.
É vacina.
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Um abraço, na medida da sua necessidade.





