A Sabesp iniciou uma obra estratégica para fortalecer a segurança hídrica da Região Metropolitana de São Paulo. Trata-se da Interligação Billings–Alto Tietê, que permitirá a captação de até 4.000 litros por segundo água bruta no braço Rio Pequeno da represa Billings, em São Bernardo do Campo, com bombeamento para a represa Taiaçupeba, em Suzano, que faz parte do Sistema Alto Tietê. A interligação vai reforçar o abastecimento de toda a Grande São Paulo ao oferecer mais água para o Sistema Integrado Metropolitano, beneficiando cerca de 22 milhões de pessoas. O investimento é de R$ 1,4 bilhão.
Esta é uma das soluções priorizadas no Plano de Segurança Hídrica previsto no novo contrato da Sabesp, firmado após o processo de desestatização promovido pelo Governo de São Paulo em 2024 para acelerar os investimentos em saneamento básico. A empresa pretende investir R$ 70 milhões até 2029 para universalizar a oferta de água e esgoto em todo o estado de São Paulo.
A vazão a ser transferida representa uma pequena fração da capacidade de armazenamento da Represa Billings, mas terá papel relevante no reforço da oferta de água à população. A Sabesp consumiu o mesmo volume proposto para essa transposição, anteriormente em estrutura temporária instalada durante a crise hídrica de 2014/2015. Desta vez, a solução será definitiva, com infraestrutura permanente, podendo ser acionada sempre que necessário, de acordo com critérios técnicos e operacionais.
Para ter uma ideia da capacidade, a Billings, sozinha, armazena mais água do que todas as represas do Sistema Cantareira somadas.
A quantidade de água que pode ser captada do Rio Pequeno, aliás, já vem sendo usada quando necessário em outra interligação existente, a transferência para o Sistema Rio Grande. Ou seja: é a mesma vazão que a Sabesp já pode transferir, mas agora com a possibilidade de bombeá-la diretamente para o Alto Tietê. O que a nova obra fará é permitir que a água do Rio Pequeno possa alimentar dois sistemas produtores, com a nova conexão com o Alto Tietê.
A água será transportada por um sistema robusto, com uma vazão de água suficiente para abastecer cerca de 1,9 milhão de pessoas de forma contínua. A água transferida do Rio Pequeno passará pelo processo completo de tratamento, seja no Sistema Alto Tietê ou no Sistema Rio Grande, antes de sua distribuição à população.
A iniciativa integra o conjunto de ações voltadas à resiliência hídrica da Sabesp — um programa que amplia a capacidade de resposta diante de períodos de estiagem e irregularidade das chuvas, por meio da criação de novas fontes de captação e da interligação dos principais sistemas produtores de água.

“Atuamos em áreas com baixa disponibilidade hídrica natural, altamente urbanizadas e densamente povoadas, como a Região Metropolitana de São Paulo, com quase 22 milhões de habitantes. Enfrentamos atualmente uma situação climática e meteorológica com um regime irregular de chuva e, por isso, a Sabesp tem investido cada vez mais em alternativas para a robustez e flexibilidade dos nossos sistemas de abastecimento”, afirma Marcel Costa Sanches, diretor de Planejamento e Projetos de Engenharia da Sabesp.
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Por isso, o novo contrato de gestão da Sabesp, firmado em 2024, previu a apresentação de um Plano de Segurança Hídrica, com horizonte até 2060, voltado a garantir a disponibilidade de água ao longo de toda a concessão. A diversificação de fontes e a ampliação da integração entre sistemas serão, de forma estruturante, os principais eixos dessa estratégia de longo prazo.
A empresa investirá mais de R$ 5 bilhões em obras de segurança e resiliência hídrica na Região Metropolitana de São Paulo até 2027, o que representa 8.000 litros de água por segundo acrescidos, beneficiando toda a população da região, ou seja, cerca de 22 milhões de pessoas.
A Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) enfrenta uma situação hídrica historicamente desafiadora. A disponibilidade hídrica per capita local é extremamente baixa – em torno de 149 m³ por habitante ao ano, comparável a regiões semiáridas e muito abaixo do recomendado internacionalmente. Esse quadro se deve à grande concentração populacional e à limitada oferta natural de água na bacia. Em 2025, a região atravessou uma das piores estiagens em 10 anos, com índices de chuva entre 40% e 70% abaixo da média e vazões afluentes drasticamente reduzidas. Os efeitos das mudanças climáticas já são evidentes: chuvas cada vez mais irregulares, ondas de calor mais frequentes e demanda elevada agravam a escassez hídrica.
Problemas Históricos e Soluções Definitivas
A nova Interligação Billings–Alto Tietê representa um avanço estrutural significativo em relação à experiência anterior, que operou entre 2015 e 2020. À época, a interligação foi concebida como solução emergencial e temporária, apresentando limitações relevantes: baixa flexibilidade operacional, trechos de tubulação expostos — o que elevava o risco de vandalismo e de falhas — e alto custo de operação, em razão da dependência de uma usina termelétrica a gás para o bombeamento da água.
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Em contraste, a nova interligação foi projetada como uma solução definitiva, com tecnologia de ponta e modelo operacional flexível. O sistema permitirá que a água captada no Rio Pequeno seja bombeada de forma integrada e otimizada para dois sistemas produtores distintos, conforme a necessidade operacional e os níveis dos mananciais. Toda a tubulação será enterrada, reduzindo riscos de acidentes, falhas operacionais e vandalismo. Além disso, o sistema passará a operar com energia elétrica, eliminando a dependência de usinas a gás e aumentando a eficiência energética da operação.
Para o Sistema Alto Tietê, a água será transportada por adutoras de aço enterradas, com aproximadamente 38,1 quilômetros de extensão e diâmetros variando entre 1,50 metro e 1,80 metro — em alguns trechos, superiores à altura de uma pessoa. O traçado foi definido a partir de estudos técnicos e ambientais, priorizando a redução de impactos, ao percorrer exclusivamente vias públicas ao longo de 100% do trajeto. Entre as alternativas avaliadas, esta se mostrou a mais adequada do ponto de vista ambiental, operacional e urbano.
A Estação Elevatória de Água Bruta, responsável pela captação e bombeamento, ficará às margens do braço do Rio Pequeno, na cidade de São Bernardo do Campo. Além da estação, a interligação entre os sistemas de abastecimento envolve a construção de subestação de energia e tubulações enterradas. Ela passará por São Bernardo do Campo, Santo André, Ribeirão Pires, Rio Grande da Serra, Suzano e Mogi das Cruzes.
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