A propaganda eleitoral no rádio e na TV continua importante para apresentar as propostas dos candidatos, especialmente aos eleitores indecisos. A avaliação é do cientista político João Feres, professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).
Em entrevista à Rádio Câmara, Feres afirmou que a propaganda nesses meios perdeu parte do impacto, mas ainda cumpre um papel relevante na decisão do voto.
As inserções eleitorais em rádio e televisão seguem até três dias antes das eleições.
Em levantamento realizado antes do início da propaganda eleitoral, a Pesquisa BTG/Nexus mostrou que 68% dos eleitores pretendiam acompanhar a propaganda no rádio e na TV. Segundo João Feres, levantamentos separados por viés ideológico do eleitor mostram que a importância da propaganda no rádio e na TV é maior para os indecisos.
“Ou seja, são pessoas que estão buscando informação política para decidir o voto. Isso é importante porque mostra que o horário eleitoral está cumprindo seu papel principal”, afirmou.
Na avaliação do pesquisador, os candidatos procuram passar pelo rádio e pela TV uma imagem mais propositiva e com menos ataques a adversários. “Geralmente, os candidatos tendem a aparecer mais bonzinhos no horário eleitoral gratuito, a não ser que tenham razões para atacar. E eles reservam os ataques, inclusive, para pessoas do apoio deles. As pesquisas mostram que os eleitores não gostam muito de candidato que ataca diretamente o outro”.
Estratégias diferentes
De acordo com João Feres, a linguagem e as estratégias variam conforme a plataforma, seja nas redes sociais ou nos grupos de mensagens fechados. O Facebook, segundo ele, tem maior acesso entre pessoas mais velhas. O Instagram é coisa de jovem. A propaganda negativa preferem fazer por WhatsApp, especialmente em grupos fechados.
“É mais difícil você, inclusive, caracterizar crime eleitoral, porque fica em grupos privados. Então, tem várias estratégias de campanha,” explicou o cientista político.
Menos tempo de campanha
A minirreforma eleitoral de 2015 (Lei 13.165/15) diminuiu o tempo de propaganda no rádio e na TV de 45 para 35 dias e o das campanhas como um todo de 90 para 45 dias. Uma das intenções era reduzir os gastos de campanha. Em 2015, as empresas também ficaram proibidas de doar recursos a candidatos e partidos.
Para João Feres, as mudanças não conseguiram gerar os efeitos desejados e foram desastrosas para a saúde da democracia brasileira.
“As pessoas só têm chance de discutir os destinos da nossa nação, do governo, do seu estado, de quatro em quatro anos. Foi uma coisa muito drástica. E a gente gasta muito recurso com eleição”.
Na avaliação dele, o fundo eleitoral destinou mais recursos aos partidos, que precisam gastá-los em um período mais curto.
“É claro que os partidos vão fazer o possível para passar a mensagem no tempo que lhes couber, mas tem gente que fica com muito pouco tempo e quase acaba não tendo praticamente exposição ao eleitorado por meio da propaganda eleitoral”, criticou.





