
A construção de um novo hospital em Ribeirão Branco provocou um dos principais debates da sessão da Câmara Municipal realizada nesta segunda-feira (10). O vereador Ronaldo de Oliveira Silva (PT) apresentou o Requerimento nº 015/2026, solicitando ao Poder Executivo informações detalhadas sobre o projeto, incluindo custo total da obra, eventual financiamento, recursos próprios, projetos arquitetônico e estrutural, instalações, acessibilidade e cronograma físico-financeiro. A proposta foi rejeitada pelo plenário.
O requerimento foi apresentado em meio à discussão sobre a intenção da Prefeitura de utilizar recursos de um financiamento contratado em gestão anterior para a construção da nova unidade hospitalar.
Ao defender o pedido, Ronaldo afirmou que a Câmara precisa conhecer os detalhes do empreendimento antes de acompanhar sua execução. O vereador disse ser favorável à construção, mas defendeu que o projeto seja desenvolvido com transparência e planejamento.
“Eu sou a favor do hospital, mas eu sou a favor desde que aconteça de forma certa, de forma correta”, afirmou durante a sessão.
Ronaldo também questionou a origem dos recursos que seriam utilizados na obra e defendeu que os vereadores tenham acesso aos projetos antes da alteração da finalidade do financiamento.
“Então esse requerimento é uma forma de nós mostrar pra nossa população que realmente vai sair do papel e que realmente vai acontecer a coisa certa com os projetos arquitetônicos”, afirmou.
Bruno questiona momento do requerimento
Durante a discussão, o vereador Bruno de Oliveira Bento (Podemos) afirmou que a cobrança apresentada por Ronaldo era legítima, mas considerou que o requerimento havia sido apresentado antes da aprovação da alteração do objeto dos recursos.
“Quanto ao requerimento do nobre vereador Ronaldo, acredito, vereador, não que a sua colocação aqui de cobrar esteja errado. Vossa Excelência não está errada. Porém, primeiro se tem que passar o projeto na Câmara”, afirmou Bruno.
Segundo ele, os recursos já haviam sido autorizados anteriormente e parte deles teria sido utilizada em outras aquisições para o município. Na avaliação do vereador, seria necessário primeiro aprovar a mudança de finalidade para, posteriormente, avançar na discussão sobre a execução do hospital.
Bruno também se posicionou favoravelmente à nova unidade.
“Um hospital é necessidade, é conforto, é melhoria para quem precisa”, afirmou.
Gilmar diz que Câmara já havia solicitado informações
O presidente da Câmara, Gilmar Garcia de Almeida (Republicanos), afirmou durante a discussão que a própria Mesa Diretora já havia solicitado ao Executivo informações sobre o projeto do novo hospital.
Segundo Gilmar, os vereadores haviam participado de uma reunião na qual o secretário municipal responsável pelo projeto apresentou informações preliminares sobre a futura unidade.
“O que tá inclusive, Ronaldo, acho que até […] pela Mesa. A Mesa já fez um requerimento para o prefeito para que ele nos traga aqui todo o projeto do hospital”, afirmou.
Gilmar também relatou que, durante a reunião, foi apresentado aos vereadores um projeto visual da futura construção e informações sobre os padrões que deverão ser observados na obra.
Segundo o presidente da Câmara, o secretário teria informado que a construção física do hospital ficaria na faixa de R$ 7 milhões a R$ 8 milhões, sem incluir equipamentos e outros custos.
“A construção física em torno de 7 a 8 milhões”, disse Gilmar.
Ainda de acordo com ele, a Prefeitura precisaria aportar recursos adicionais para complementar o valor necessário à execução da obra.
As cifras foram apresentadas durante o debate parlamentar e, conforme relatado por Gilmar, têm como referência as informações apresentadas pelo secretário responsável pelo projeto. O valor definitivo dependerá dos projetos técnicos e dos respectivos orçamentos.
Márcio defende hospital, mas cobra projeto e custos
O vereador Marcio José Ferreira de Oliveira, o Marcio Varandão (PL), também se manifestou sobre o tema e fez questão de afastar a interpretação de que os questionamentos representariam oposição à construção de uma nova unidade.
“Eu quero deixar bem claro aqui, tá tendo um mau entendimento que estão jogando aí que algumas pessoas é contra o hospital. Nós não somos contra hospital novo, nós somos a favor”, afirmou.
Márcio defendeu, entretanto, que o município apresente os projetos e os custos antes do avanço da proposta.
“Acho que primeiro nós temos que ter sim o projeto técnico, né? E o projeto operacional”, disse.
Na sequência, resumiu a cobrança que, segundo ele, estava sendo feita pelos vereadores:
“A gente só quer o custo, o projeto do custo e o operacional.”
O vereador também falou sobre as condições do atual hospital de Ribeirão Branco. Segundo Marcio, o prédio enfrenta problemas estruturais acumulados ao longo dos anos.
“O nosso prédio vem por anos capengando”, afirmou.
Ele citou problemas na entrada de emergência e em áreas que já teriam passado por reformas, além de dificuldades para a instalação de equipamentos na estrutura existente.
“Se você observar a nossa entrada de emergência, ela já é irregular”, disse.
Marcio também defendeu que a discussão sobre o novo hospital considere a localização da futura unidade e os impactos sobre o acesso dos pacientes.
Apesar das divergências sobre o momento e a forma de fiscalização, os vereadores que participaram do debate manifestaram apoio à construção de um novo hospital.
Requerimento é rejeitado
Após a discussão, o Requerimento nº 015/2026, de autoria de Ronaldo de Oliveira Silva, foi colocado em votação e rejeitado pelo plenário.
A votação ocorreu em meio à divergência entre os vereadores sobre a necessidade de solicitar formalmente as informações naquele momento ou aguardar a tramitação da proposta de alteração da finalidade dos recursos.
O debate, no entanto, deixou evidente que a construção de uma nova unidade hospitalar conta com apoio entre os parlamentares. A divergência está principalmente relacionada ao planejamento da obra, à definição dos custos e à forma como os recursos públicos serão utilizados.
Outro requerimento sobre contratação também é rejeitado
Na mesma sessão, Ronaldo de Oliveira Silva apresentou o Requerimento nº 016/2026, solicitando ao Executivo documentos referentes à contratação da empresa de Salvador Pereira de Souza Júnior.
O pedido incluía cópia integral do processo de contratação, contrato, termo de referência, eventuais aditivos, notas fiscais e documentos que comprovassem a execução dos serviços.
Segundo a justificativa apresentada, a solicitação teria sido motivada por uma denúncia recebida pelo vereador e pela necessidade de ampliar a fiscalização sobre os gastos públicos.
O requerimento também foi rejeitado pelo plenário, desta vez por sete votos contrários.
Câmara cobra informações sobre água e saneamento
Entre os requerimentos aprovados esteve o nº 014/2026, de autoria do presidente da Câmara, Gilmar Garcia de Almeida, que solicita à Sabesp informações sobre o novo sistema de abastecimento de água previsto para os bairros Pacas, Pacífico, Caçador Julinho e Varginha.
O pedido também solicita informações sobre o cronograma da rede de esgoto e do tratamento previsto para bairros como Caçadores, Glauser, Brasília e Medeiros.
A solicitação questiona os prazos para conclusão das obras e pede atualização do cronograma dos serviços.
Indicação propõe programa para mães atípicas
Entre as indicações apresentadas na sessão, uma das propostas de maior impacto social foi apresentada pelos vereadores Bruno de Oliveira Bento e Virgínia Maria Rinaldo Machado (Podemos).
A Indicação nº 216/2026 propõe que a Prefeitura realize estudos técnicos, administrativos e orçamentários para criar um programa municipal de inclusão de trabalho para mães atípicas.
A proposta prevê ações de qualificação profissional, empreendedorismo, trabalho e geração de renda em horários compatíveis com o período em que os filhos estejam na escola ou em atendimento especializado.
Segundo os autores, a medida poderia contribuir para a autonomia financeira das mães, a inclusão social e o fortalecimento da economia local.
Outras demandas apresentadas
A sessão também registrou indicações para melhorias em diferentes pontos do município.
Entre elas estão o lajotamento das ruas Sebastião Gomes de Almeida e Amedeiros, no bairro dos Medeiros; estudos para implantação de uma rotatória nas proximidades do Lavador do Dinho; substituição de cinco luminárias por modelos de LED na Rua 7 de Setembro, no distrito de Campina de Fora; manutenção da sinalização horizontal dos pontos de táxi; instalação de placa indicando lombada no bairro São Roque 1; serviços de drenagem e limpeza de uma valeta na Rua Catarina de Almeida Camargo, no bairro Caçador do Brasílio; e manutenção do ponto de ônibus localizado na entrada do bairro Serrado, em frente à Igreja Católica.
Homenagens também marcaram a sessão
Os vereadores aprovaram ainda uma série de moções.
Entre elas está a homenagem ao Insanos Motoclube, especialmente à divisão de Ribeirão Branco, pelas campanhas sociais realizadas no município e na região. Segundo a justificativa apresentada, o grupo arrecadou aproximadamente 3,2 mil caixas de gelatina destinadas à Associação Voluntária de Apoio ao Combate ao Câncer (AVAC), de Itapeva, além de mais de 5 mil peças de roupas e calçados na campanha do agasalho, posteriormente encaminhadas ao Fundo Social de Solidariedade de Ribeirão Branco.
Também foram aprovadas moções de reconhecimento à equipe regional da Sabesp, ao assessor parlamentar Nilson Antônio de Oliveira, ao aluno João Gabriel Rocha da Silva, integrante do Projeto Guri, e à delegação esportiva de Ribeirão Branco pelos resultados obtidos nos Jogos Regionais de 2026.
A Câmara ainda homenageou Maria Inês de Morais Santos Bezerra, servidora pública que se aposentou após mais de duas décadas de trabalho como gari no município.
O debate sobre o hospital continua
A rejeição do requerimento não encerra a discussão sobre a construção do novo hospital. Durante a sessão, os próprios vereadores indicaram que a proposta deverá voltar ao Legislativo quando o projeto de alteração da finalidade dos recursos estiver pronto para votação.
Também ficou indicada a necessidade de novas apresentações aos vereadores sobre os projetos técnicos, custos e funcionamento da futura unidade.
O debate revela que a questão central, neste momento, não é simplesmente ser contra ou a favor do novo hospital. O ponto de divergência está em como a obra será planejada, quanto vai custar, de onde virão os recursos e em que momento a Câmara deverá exercer a fiscalização sobre o empreendimento.
Para Ribeirão Branco, o desafio será transformar a intenção de construir uma nova unidade hospitalar em um projeto tecnicamente definido, financeiramente viável e transparente para a população.





