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Cientistas da USP desenvolvem sistema de medição de fluidos capaz de prever enchentes

Cientistas da USP desenvolvem sistema de medição de fluidos capaz de prever enchentes

Pesquisadores do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP São Carlos desenvolvem um novo método e sistema para a medição do nível de fluidos. A tecnologia apresentada trata-se de uma maneira de medir o nível de diferentes líquidos. Encontrando aplicação em ampla variedade de contextos, a medição pode auxiliar a detectar e até mesmo prever enchentes, além de garantir uma gestão mais dinâmica de reservatórios e tanques.

Com o uso de inteligência artificial por meio de machine learning, o sistema procura cobrir as falhas ou “ruídos” na captação de dados pelos sensores. Angelo Foletto, mestrando do ICMC envolvido na pesquisa e especialista em Internet das Coisas, explica o ponto-chave do projeto: “O ‘tchan’ da nossa patente foi unir um sensor que tem uma precisão boa, uma acurácia boa, com baixo custo, dentro de um sistema que, de certa forma, é um sistema genérico de coleta. A gente transporta esses dados para o nosso servidor, aplica a técnica de redução de ruído por meio de inteligência artificial e aí consegue trazer esse valor, esse dado corrigido, mais próximo da realidade”.

Por meio de um sistema confiável, o projeto procura ser uma alternativa viável para o monitoramento de piscinões e reservatórios ao se apresentar como uma alternativa de custo mais acessível. Devido ao seu sistema não invasivo, também se apresenta como um sistema aplicável na indústria. “Qual é a diferença de eu monitorar um canal fluvial para uma indústria? Normalmente na indústria eu vou ter um ambiente controlado, vou ter uma boa fixação do componente, uma umidade e temperatura que ela está padrão durante o ano. Isso retira muitos desafios que a gente tem no ambiente externo.”

Curso da patente

Foletto explica que a inspiração para a criação do projeto vem das câmeras de monitoramento na Alemanha e na Holanda. Segundo o pesquisador, embora elas sejam utilizadas primariamente para o monitoramento das vias públicas, elas são reutilizadas para monitorar o nível de canais fluviais ao longo da cidade: “Não é o foco principal das câmeras, porém, elas estão sendo utilizadas para isso e usa muito processamento de imagem para trazer essas informações. Processamento de imagem nada mais é do que quando a gente começa a aprofundar, querer algo mais automatizado, não tanto manual, e a gente parte para alguma técnica de inteligência artificial; eu falei, por que não trazer isso para cá?”.

Ainda segundo Foletto, a confecção dos primeiros sensores contou com a participação de cientistas do Laboratório de Hidráulica da USP São Carlos. Devido à quarentena resultante da pandemia do coronavírus, foi possível um uso extensivo dos canais de vazão do laboratório, que simulam o comportamento de canais fluviais. Foi dentro do laboratório que a equipe descobriu um ponto-chave para o bom funcionamento do sensor infravermelho: a turbidez da água. Quanto maior a turbidez, maior a facilidade da água em devolver a onda de luz de volta ao sensor.

Atualmente a tecnologia se encontra no nível de maturidade TRL4: “Foi por pouquinho que a gente não conseguiu o 5”, lamenta Foletto. Comentando a fácil aplicabilidade e a redundância de conexão, Foletto termina: “Onde a gente pode fazer medições não invasivas e que sejam referentes a distância ou presença, a gente pode aplicar isso sem problema nenhum”.

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