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Câmara de Ribeirão Branco aprova requerimento sobre contratos de roçada e rejeita pedido de informações sobre desapropriação

Sessão foi marcada por debate acalorado na tribuna e votações apertadas; pedido sobre empresa contratada para roçada foi aprovado por desempate da presidência, enquanto questionamento sobre metragem de área adquirida pelo Município foi rejeitado.
Foto: Reprodução

A 2ª Sessão Ordinária do 1º Período de 2026 da Câmara Municipal de Ribeirão Branco foi marcada por divisão no plenário e debate intenso em torno de dois requerimentos apresentados pelo vereador Ronaldo de Oliveira Silva (PT), conhecido como Ronaldinho Fiscal do Povo.

Os dois pedidos tratavam de temas distintos — contratos de roçada e desapropriação de área para moradia popular — mas tiveram algo em comum: forte embate político e votações apertadas.

Requerimento sobre empresa de roçada é aprovado após empate

O primeiro requerimento (nº 0001/2026) solicita cópia integral do processo de contratação da empresa Maria do Socorro de Oliveira Lima (CNPJ 40.536.704/0001-06), incluindo contratos, termos de referência, aditivos e notas fiscais.

De acordo com o documento protocolado, os valores pagos à empresa somariam R$ 650.147,40 em 2025 e R$ 74.907,00 apenas em janeiro de 2026 .

Antes da votação, o vereador utilizou a tribuna para defender o requerimento e questionar o volume financeiro envolvido.

“Somando um total de 650 mil reais e só no mês de janeiro mais 74 mil. Então, para uma empresa que faz roçada, é muito dinheiro.”

O parlamentar afirmou ter consultado o CNPJ da empresa e declarou que constaria apenas um funcionário registrado, levantando dúvida sobre a capacidade operacional.

“Então, o cara é muito bom na foice ou na maquininha, porque para roçar essa quantia, para receber esses valores do nosso município, é muito dinheiro.”

Ronaldinho também mencionou ter visto servidores e veículos da própria Prefeitura realizando serviços de roçada em determinados trechos do município, defendendo que o pedido busca esclarecimentos formais.

A votação terminou empatada: cinco votos favoráveis e cinco contrários. Coube ao presidente da Câmara o voto de desempate, que decidiu pela aprovação do requerimento .

Com isso, o Executivo deverá encaminhar as informações solicitadas dentro do prazo regimental.

Pedido sobre desapropriação é rejeitado pela maioria

O segundo requerimento (nº 0002/2026) solicitava documentos e esclarecimentos sobre o processo de desapropriação disciplinado pelo Decreto nº 86/2025 .

O vereador questionou possível divergência na metragem da área mencionada no decreto. Segundo ele, o documento apontaria cerca de 57 mil metros quadrados, enquanto o imóvel adquirido corresponderia a três alqueires (aproximadamente 72.600 m²).

Na tribuna, afirmou:

“Está faltando 16 mil metros e pouco. Aonde que está? Cadê essa quantidade de terra que está faltando?”

Ele declarou ter conversado com o proprietário da área e sustentou que a metragem vendida seria superior à descrita no decreto.

Apesar da argumentação, o requerimento foi rejeitado por oito votos contrários e dois favoráveis .

Fiscalização e transparência

Ambos os requerimentos se fundamentam na prerrogativa constitucional de fiscalização do Legislativo sobre os atos do Executivo, conforme previsto na Lei Orgânica Municipal .

No caso da desapropriação, o pedido também fazia referência à Lei de Acesso à Informação (Lei nº 12.527/2011), que assegura o direito de acesso a documentos públicos .

Com a aprovação do primeiro requerimento, o Executivo deverá apresentar documentação detalhada dos contratos e da execução dos serviços de roçada. Já a rejeição do segundo pedido impede, neste momento, que a Câmara obtenha formalmente os documentos sobre a desapropriação por meio daquele instrumento específico.

Próximos desdobramentos

A Prefeitura poderá se manifestar oficialmente sobre os pontos levantados. O espaço permanece aberto para esclarecimentos.

O Diário de Ribeirão Branco seguirá acompanhando os desdobramentos da resposta ao requerimento aprovado e eventuais novas iniciativas legislativas sobre o tema.