O Centro de São Paulo completou oito meses sem a chamada Cracolândia, marco que simboliza uma mudança estrutural na forma como o poder público enfrenta as Cenas Abertas de Uso de Drogas na capital. O trabalho integrado realizado pelo Governo de São Paulo entre segurança, saúde e desenvolvimento social, com a participação da prefeitura da capital, garantiu resultados inéditos.
“Por 30 anos, a Cracolândia gerou insegurança aos moradores, prejudicou o comércio local, viabilizou e consolidou o crime organizado naquele território. Depois de três anos de muito trabalho, coragem e persistência, conseguimos finalmente acabar com a Cracolândia e hoje estamos celebrando oito meses do esvaziamento daquela Cena Aberta de Uso. Resultado de políticas públicas transversais, consolidadas e integradas, nas áreas de segurança pública, tratamento em saúde e acolhimento terapêutico social,”, disse o governador Tarcísio de Freitas.
Desde 2023, mais de 21,6 mil pessoas foram presas na região central da capital, com a apreensão de 13,4 toneladas de drogas, 682 armas retiradas de circulação e cerca de 2 mil veículos recuperados. Na área antes dominada pelo fluxo da Cracolândia, os roubos e furtos caíram 39,6% entre janeiro e novembro de 2025, na comparação com o mesmo período de 2022. No mesmo intervalo, foram evitadas quase 20 mil ocorrências apenas nos distritos policiais diretamente ligados às antigas cenas de uso.
Paralelamente ao combate ao tráfico, a criação da Linha de Cuidados Integral a Adultos com Necessidades Relacionadas ao Uso de Crack, Álcool e outras Drogas viabilizou estratégias da jornada de cuidados aos dependentes químicos vindos da Cracolândia, ampliando leitos, criando serviços de acolhimento terapêutico e ações preventivas, consolidando assim uma central de dados e informações da atuação desta política pública, garantindo continuidade, aprimoramento e avaliação constante.
Com a implantação do Hub de Cuidados em Crack e outras drogas, consolidou-se uma nova abordagem, com serviços integrados para todas as etapas da linha de cuidados Desde sua implantação, foram realizados 37,9 mil atendimentos e 32,9 mil encaminhamentos para hospitais especializados e comunidades terapêuticas.
“A Cracolândia só existia porque estava inserida em um ecossistema de ilegalidade, abastecido de drogas e sustentado pelo tráfico. Foi preciso pensar diferente e fazer diferente para chegar aonde ninguém chegou, para ter os resultados que nenhuma outra gestão teve”, disse o vice-governador Felício Ramuth, que coordenou as ações relacionadas à Cracolândia desde 2023. “O trabalho de mudança nas Cenas Abertas de Uso não aconteceu da noite para o dia. É algo que vem desde o início da gestão, com muito empenho, diálogo, pesquisa e ação conjunta.”

Dignidade e vida nova
No início da gestão, cerca de 3 mil pessoas frequentavam as cenas abertas de uso. Esse número caiu progressivamente até a desarticulação do fluxo concentrado em 10 de maio de 2025.
Hoje a oferta de leitos para desintoxicação foi ampliada de 140 para 728 leitos exclusivos para pessoas com dependência química oriundas da Cena Aberta de Uso. Além disso, foram criados 14 complexos de Casas Terapêuticas, sendo que cada complexo é composto por 4 unidades de Casas Terapêuticas, totalizando 56 unidades. Também foi implantado 11 Espaços Prevenir, voltados exclusivamente para atender a política de ações preventivas.
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A Agência SP conversou com um dos beneficiados pelas ações de acolhimento. Ele não pode ser identificado, mas conta que viveu 17 anos em situação de rua e na cena aberta de uso. Ele relatou que chegou a acreditar que jamais conseguiria abandonar as drogas. Hoje, próximo de concluir o tratamento, comemora mudanças profundas: retomou contato com a família, conversou novamente com a filha mais velha, voltou a estudar e conquistou emprego com registro.
Ele conta que a rotina de vulnerabilidade antes do tratamento era marcada por longos períodos na região da República, Luz e Arouche, consumo contínuo de álcool e crack, discriminação, noites nas ruas e passagens por albergues. “Viver nas ruas não é fácil. Hoje eu tenho a minha casa, conquistei minha autonomia, tudo através do meu processo e foco e do acolhimento adequado”, afirma. “Quando cheguei para ser acolhido, eu só tinha a roupa do corpo. Mesmo assim, fui recebido com amor, com paciência e com regras que me ajudaram a reconstruir minha vida.”
Segurança reforçada
A política de segurança foi fortalecida com mais de 400 policiais militares incorporados ao policiamento do centro, ampliação da Atividade Delegada, entrega de duas novas sedes policiais, oito bases comunitárias e aquisição de 80 motocicletas. Atualmente, mais de 2 mil policiais atuam diariamente na região central.
A integração tecnológica também avançou, com a conexão de câmeras do programa Muralha Paulista (do governo estadual), Smart Sampa (da prefeitura) a 50 motos da Polícia Militar e 50 da Guarda Civil Metropolitana, ampliando a capacidade de monitoramento em tempo real. Desde 2023, operações integradas resultaram ainda na apreensão de 34 mil armas brancas e objetos cortantes, por meio da Operação Corte Zero, contribuindo para o reordenamento do espaço urbano.
Habitação
O impacto social da desmobilização do tráfico também se reflete no reassentamento das famílias da Favela do Moinho, que era um dos principais eixos de sustentação do tráfico na Cracolândia. Cerca de 800 famílias já aderiram voluntariamente ao plano estruturado pela CDHU, com opções de moradia em diferentes regiões do estado, indenização a comerciantes e auxílio-moradia durante a transição. O programa busca oferecer dignidade e segurança à população que vive sob risco elevado e em condições insalubres.
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